Ventos de Mudança

No fórum geral debatem-se temas sobre as energias renováveis e alternativeis que não se encaixem nos restantes sub fóruns.
Também serve para discutir formas de melhorar a eficiência energética.



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Brandara
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Ventos de Mudança

Mensagem por Brandara » quinta abr 05, 2007 10:48 am

ventos de mudança

chevrolet volt
com o chevrolet volt de propulsão eléctrica a gm parece querer mudar o paradigma energético.
o chevrolet volt é proposto por um dos construtores mais resistentes a mudanças que ameacem os interesses económicos do sector. embora a solução aqui apresentada não seja inovadora, é sofisticada e atende de forma inteligente aos interesses de todas as partes; o cliente, a indústria automóvel e a petrolífera. a pertinência desta solução deve-se a factores como a evolução dos preços dos combustíveis até à forte pressão exercida pelo movimento de cidadãos que, à escala global e no âmbito da iniciativa “who killed the electric car?” (desencadeada em 2003 por ocasião do abate propositado pela gm do ev1, o seu primeiro veículo eléctrico puro com elevado sucesso), decidiram pressionar o construtor para continuar na linha dessa tecnologia! este tipo de consciência ambiental aumentou com a maior sensibilidade do povo americano para as questões ambientais, incrementada com o filme “uma verdade inconveniente” apresentado em 2006 por al gore.
em suma, há quem afirme que a economia americana funciona na base no “shock driven”. o choque já chegou, a reacção está a surgir.

ideia simples e conhecida
o conceito de base aplicado no chevrolet volt não é inovador nos sistemas de propulsão de veículos terrestres e marítimos. a propulsão eléctrica, entre inúmeras aplicações, foi utilizada em tanques de guerra alemães que se deslocavam com um propulsor eléctrico alimentado por um gerador acoplado a um motor de combustão. este princípio é hoje utilizado nas locomotivas diesel/eléctricas e no protótipo alessandro volta, exibido pela toyota em 2004.

grande flexibilidade
o volt é um veículo com tracção às rodas dianteiras, movido exclusivamente por um motor eléctrico alimentado por baterias, ao qual foi adicionado um gerador de electricidade accionado por um motor de combustão interna (mci), com o objectivo de estender a sua autonomia. este conjunto propulsor foi denominado por tecnologia e-flex e o veículo agora apresentado constitui o primeiro onde esta é aplicada. foi concebido para utilizar, de forma directa, pouca ou nenhuma gasolina. na versão actual a tecnologia e-flex é constituída por um motor eléctrico de 161 cavalos, controlado por um variador electrónico de velocidade e alimentado por uma bateria de iões de lítio com 16 kwh de capacidade e 181 kg. o sistema é complementado por um motor ecotec de três cilindros, turbo, com 1000 c.c. a gasolina e 71 cavalos de potência, acoplado a um gerador eléctrico de 53 kw, que entra em funcionamento para recarregar a bateria apenas quando o nível de carga desta desce abaixo de um determinado limiar.
a denominação e-flex deve-se à flexibilidade desta arquitectura a dois níveis. primeiro, permite que no futuro tanto o motor eléctrico como o sistema de armazenamento de energia se possam adaptar facilmente a diferentes potências, tamanhos de veículos e ir integrando as tecnologias mais evoluídas que forem surgindo. a segunda tem a ver com a flexibilidade ao nível das fontes de energia possíveis de utilizar para gerar electricidade a bordo. a versão actual integra um motor de combustão interna (mci) alimentado a gasolina. mas, consoante o mercado, pode ser utilizado um motor que consuma o diesel tradicional, o e85 (um combustível misto com 85% de etanol 15% de gasolina) ou outro biocombustível. é comum a todas as opções o facto de o mci ser programado para trabalhar no regime dinâmico que garanta a sua máxima eficiência energética e o menor nível de emissões.

maior autonomia
a grande mais valia da tecnologia e-flex é a de explorar as potencialidades da tracção eléctrica, permitindo ultrapassar a limitação da autonomia dos sistemas eléctricos puros. a bateria do volt recarrega em seis horas e percorre cerca de 64 km em tráfego urbano. para vencer distâncias maiores entra em acção o mci, para repor carga na bateria. no protótipo agora apresentado, com um depósito de 54 litros de gasolina, a autonomia anunciada é de 1030 km, cerca do dobro dos veículos convencionais . se tivermos em conta os resultados do estudo “personal vehicle miles driven daily” recentemente realizado nos eua, que revelou que cerca de 80% dos veículos nesse país percorrem diariamente uma distância inferior a 85 km e 50% percorrem uma distância inferior a 42,5 km, um veículo com a autonomia já disponibilizada pelo chevrolet volt constituirá, para a maioria dos cidadãos, uma alternativa de mobilidade eficaz, que podem recarregar nas tomadas das garagens e eliminar, para alguns quase em definitivo, a deslocação a um posto de abastecimento de combustível.
do ponto de vista do impacto ambiental desta solução, vamos considerar duas situações. na primeira o veículo realiza trajectos diários de distância inferior à autonomia em modo eléctrico. na segunda efectua percursos muito extensos e funciona por longos períodos com o mci ligado. para a primeira situação a taxa de emissões associada (incluindo a emissão de co2) depende exclusivamente do mix associado à origem da electricidade de onde o veículo é abastecido. se for a partir de uma fonte renovável (hídrica, eólica ou solar) a sua taxa de emissões é quase nula. se for a partir de uma fonte predominantemente fóssil (carvão, gás natural ou fuel óleo) aí é já muito diferente. para o caso de uso de biocombustíveis as taxas de emissão assumem valores intermédios.
convém salientar que, mesmo para a segunda hipótese e para a situação de trajectos longos, o impacto ambiental desta solução tecnológica é sempre inferior ao do uso directo do combustível num veículo com tecnologia convencional. esta razão deve-se ao facto de o mci trabalhar sempre no regime óptimo e de não haver o tradicional pára/arranca, inevitável com os sistemas de propulsão com motor de combustão.

texto:joaquim delgado (doutorado em sistemas de energia)

artigo publicado na revista turbo de março de 2007


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escalavardo
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Mensagem por escalavardo » quinta abr 05, 2007 11:44 am

pois esta é uma solução, já que é dificil autonomia apenas com baterias. e como os ev ainda não estão muito desenvolvidos, este é um bom passo nessa direcção.
3º sócio novaenergia

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