Um dia seremos pilhas eléctricas

No fórum geral debatem-se temas sobre as energias renováveis e alternativeis que não se encaixem nos restantes sub fóruns.
Também serve para discutir formas de melhorar a eficiência energética.



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luimio
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Um dia seremos pilhas eléctricas

Mensagem por luimio » segunda dez 11, 2006 5:47 pm

já é possível recuperar a energia que cada um de nós liberta ao andar. em breve, isso permitirá iluminar edifícios públicos suficientemente frequentados. os primeiros ensaios estão marcados para 2007.

meg carter | the independent | londres

in courrier internacional, edição portuguesa, n.º 85 - 17 a 23 de novembro de 2006, pág. 40 - tecnologia

uma escada que capta, acumula e converte em electricidade a energia gerada pela passagem das pessoas? pode parecer ficção científica, mas a ideia é levada muito a sério por cientistas firmemente decididos a explorar as capacidades energéticas do corpo humano.

«quando caminhamos, cada passo produz oito watts que são absorvidos pelo solo. é um desperdício. no entanto, é possível captar pelo menos 30 por cento dessa energia», explica claire price, que dirige o projecto pacesetters da empresa londrina the facility architects. «imagine uma pista de dança. o chão é concebido para atenuar as vibrações e limitar o desgaste para os membros dos dançarinos. estamos a trabalhar num chão equipado com captadores de energia sob a superfície. também atenuará as vibrações, mas, em vez de dispersar a energia, captá-la-á e fornecerá electricidade gratuita», explica.

a primeira escada captora de energia humana será testada na torre spinnaker de portsmouth [com 170 metros de altura e «design» ultramoderno], no começo de 2007. além da holandesa philips, participam no projecto várias equipas universitárias. a de huil concebeu um gerador alojado no tacão dos sapatos, que capta a energia produzida pela marcha. e a de southampton encontrou um meio de gerar electricidade a partir das vibrações naturais que se produzem nos edifícios. procuram mostrar que o movimento humano pode produzir electricidade suficiente para alimentar os locais públicos.

se a energia humana tem tamanho potencial, poderemos perguntar-nos por que razão ainda não foi explorada como deve ser. «o desafio era o armazenamento», reconhece price. «hoje tentamos criar supercondensadores e outros sistemas de armazenamento. temos a certeza de que, se a energia for utilizada perto do local onde é produzida, estes projectos representarão uma alternativa viável à rede eléctrica nacional. poder-se-ia garantir a iluminação e alimentar os sistemas de painéis luminosos led [novas lâmpadas de muito baixa tensão, ver ci n.º 43, de 27 de janeiro de 2006] e os sistemas áudio dos locais públicos», acrescenta. tendo em conta que a estação de metro de victoria, em londres, recebe 34 mil utentes por hora nas horas de ponta, a electricidade produzida pela marcha constituiria uma fonte de energia viável.

rádio de manivela

«a energia gerada pela actividade humana não só deve ser captada correctamente como armazenada de forma eficaz e libertada de forma controlada. e é preciso uma grande quantidade de esforço humano para produzir uma quantidade modesta de electricidade. quanto tempo estariam as pessoas dispostas a esforçar-se para armazenar energia para fazer funcionar determinado aparelho? é verdade que os aparelhos eléctricos são concebidos para consumir cada vez menos electricidade e o número de aplicações potenciais aumenta», explica rory steer, director executivo da freeplay, empresa que desenvolveu o primeiro rádio de manivela, após a sua invenção pelo britânico trevor bayliss, há pouco mais de dez anos. é isto que estimula o interesse pela electricidade autoproduzida. os aparelhos eléctricos de fraco consumo multiplicam-se. e houve progressos na captação, armazenamento e libertação da energia humana.

o projecto pacesetiers não é o primeiro a tentar utilizar a energia humana, salienta o professor neil white, da universidade de southampton, estabelecimento que concebeu um aparelho capaz de captar a energia gerada pelas vibrações que se produzem nos edifícios. «nos anos 80, a seiko desenvolveu o relógio kinetic, alimentado pelos movimentos humanos. as pilhas convencionais foram dispensadas, explorando-se a distância que o braço humano pode percorrer com o passar do tempo. desde então, foram produzidos diversos relógios cinéticos, mas o potencial desse sistema para alimentar aparelhos maiores é limitado pela lentidão com que as pessoas se deslocam», recorda.

os exércitos americano e britânico já experimentaram captores de energia colocados nas botas dos soldados. permitiam fazer funcionar os radiotelefones, que costumam ser dotados de pesadas baterias recarregáveis. os captores não eram, contudo, suficientemente robustos para resistir a condições extremas e esses projectos foram abandonados. no começo dos anos 90, chegou a freeplay, com os seus rádios, lâmpadas e tochas de manivela. desde então, esta empresa inventou um gerador com manivela para carregar telen1óveis, um gerador de bomba de pé capaz de alimentar aparelhos maiores e uma série de protótipos de equipamentos médicos com manivelas. de momento, participa no desenvolvimento de um mecanismo de manivela destinado a alimentar o famoso computador portátil de 100 dólares [78 euros] que deverá levar o pc às crianças do mundo em desenvolvimento.

clientes querem acesso fácil

as opiniões estão divididas quanto ao melhor método para explorar a energia humana. segundo alguns, o futuro reside nos aparelhos integrados, como os geradores accionados pelos tacões de um caminhante. outros preferem mecanismos capazes de explorar a energia gerada por um conjunto de actividades humanas. o projecto pacesetters já chamou a atenção de várias empresas. assim, claire price pesquisa com um fabricante de material de musculação um meio de explorar a energia gerada pelos utilizadores das máquinas de correr, nos ginásios.

rory steer concluiu um acordo para lançar aparelhos que funcionam com energias renováveis, na índia. continua, porém, convencido de que o futuro da freeplay são os aparelhos que associam tecnologia de manivela às energias solar e eólica. «as energias renováveis representam apenas um nicho económico no mundo desenvolvido e continuarão assim, excepto no reino unido, onde a legislação incentiva o seu desenvolvimento», garante. «a razão é simples: o consumidor médio quer aceder à energia pelo meio mais simples - a rede nacional»
fonte:http://www.forumenergia.eu

neste tópico podem encontrar uma discoteca que aproveita a energia libertada pelo corpo humano a dançar:
http://novaenergia.net/forum/viewtopic.php?t=1620


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escalavardo
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Mensagem por escalavardo » quarta dez 13, 2006 11:55 am

bem, faz lembrar o matrix..
3º sócio novaenergia

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