A VELHAENERGIA da biomassa.

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APHenriques
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A VELHAENERGIA da biomassa.

Mensagem por APHenriques »

Já faz algum tempo que eu participo neste fórum... mas o assunto “biomassa” nunca me interessou.
Na verdade nem deveria fazer parte de um fórum com o nome de “novaenergia”
Pois a forma mais antiga de produzir energia é através da queima de lenha... curiosamente, sendo eu descendente de muitas gerações de agricultores, entre outras coisa com produção de madeira, sou totalmente contra a combustão de madeira... seja numa simples lareira ou nas centrais termoeléctricas...
Recentemente, perante a pretensão absurda do executivo actual da minha Câmara Municipal de instalar uma termoeléctrica a biomassa, levou-me procurar a respectiva legislação.... o que me levou a um estado de preocupação...

Uma coisa é ter alguns vizinhos que se sentem no direito de encher toda a povoação de fumo, só para aquecer as suas casas... mas quando o município é gerido com base nesse tipo de ... nem sei como qualificar... temos a prova que “sociedade da informação” é um mito.

Biomassa, resíduos florestais, renováveis, sustentabilidade, nulidade carbónica, rentabilidade. São as palavras chave para o engodo legislativo... e assim se cria uma indústria altamente poluente, consumidora de vários tipos de recursos, e que nem subsiste sem subsídios, mas garante uns cargos bem rentáveis para alguns “boys”.


apmendes
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Re: A VELHAENERGIA da biomassa.

Mensagem por apmendes »

Como é evidente cada um tem direito á sua opinião. Eu sou do campo, tenho duas casas em duas aldeias e tenho a minha lareira tradicional em cada uma das casas, e sabe muito bem no inverno estar sentado junto à lareira. Não concordo minimamente contigo ao dizeres que és contra a queima de lenha. Então explica-me o que se faz aos resíduos da limpeza das matas, poda de árvores e outra que quem trabalha no campo, sempre sobra um montão de resíduos. Se não se pode queimar (como tu defendes), envia-se para o aterro sanitário? Bem sei que me vais dizer que pode ser reduzido a pequenos detritos que dão lugar a pelets, mas vai dar no mesmo, isso vai ser queimado. certo? Se vamos pelo teu ponto de vista, tudo o que o homem faz, gera poluição, Andas de carro, gera poluição, queimas gaz, gera poluição. Mas fiquemos por aqui, mas não concordo minimamente com o teu ponto de vista. Se não se queimam os residuos das limpezas florestais, vai dar lugar a mais produto seco que provoca com muita facilidade incêndios florestais.


Quintas2
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Re: A VELHAENERGIA da biomassa.

Mensagem por Quintas2 »

Eu também aqueço a casa a lenha. Tudo resíduos de poda florestal e alguma agrícola.

É bem verdade que a queima, em si, é uma atividade geradora de poluição. Mas a queima de lenha bem seca, gera relativamente pouco fumo. Da chaminé do meu recuperador de calor, tirando um curto período logo a seguir a carregar lenha, em que se queima a casca e a lenha perde alguma humidade, nem sequer se percebe que está a sair fumo.

As centrais de biomassa, mesmo que subsidiadas, podem desempenhar um papel muito útil na gestão preventiva de fogos rurais.

Porquê subsidiar aerogeradores, sistemas fotovoltaicos, hídricas e não centrais de biomassa?

Porquê gastar milhões com combate a incêndios, em vez de os gastar na sua prevenção, incentivando a adequada gestão de combustíveis em áreas rurais. Tem-se o benefício de gerar energia, evitar fogos, em vez de os ter de combater e depois arcar com os custos da reconstrução e das vidas humanas perdidas. A prevenção sempre foi mais rentável que as consequências.

Naturalmente, tudo tem que ser feito com razoabilidade. É bem verdade que há centrais de biomassa a queimar madeira, em vez de resíduos, muitas vezes oriunda de áreas que arderam. Mas, aí, como em tudo o resto, tem de entrar a educação e a fiscalização.

Resido numa área rural. Infelizmente, agora menos, pelo abandono de muitos campos, mas o incómodo de levar com fumo intenso da queima de montes de podas agrícolas e sobrantes florestais, queima efetuada durante o inverno e início da primavera, com esses montes cheios de humidade, é incomparavelmente maior do que o do meu recuperador de calor, em que se queima lenha seca.
E um sistema de queima industrial controlada deve ser adequadamente localizado e os gases podem e devem ser filtrados, quanto mais não seja por um simples filtro de mangas, para retirar o grosso das partículas sólidas.
Cumprimentos,
Quintas2


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APHenriques
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Re: A VELHAENERGIA da biomassa.

Mensagem por APHenriques »

Pois esses são os argumentos mais utilizados, especialmente o dos resíduos de limpeza florestal...
Só que nenhuma central se alimenta só disso... na verdade a queima de resíduos florestais é insignificante.
Bem mais significativo é a quantidade de gasóleo, madeira e resíduos de produção de pasta de madeira. esses sim, compensa queimar pelo valor energético, mas que libertam coisas maravilhosas para a atmosfera.... e o problema maior não é o fumo visível, mas sim o invisível.
Sabe se que o combustível consumido na recolha e transporte desses resíduos florestais numa distância superior a 45 kms é superior a energia produzida pela combustão.
Também se sabe que os resíduos produzidos por uma floresta com 45 kms de raio não são suficientes para alimentar uma central termoeléctrica pequena e minimamente rentável.
Mas depois diz se que é necessário limpar as matas, os eucaliptais, etc... pois mas remover não é necessariamente a melhor solução.
A solução biológica é usar cabras... como sempre se fez.
outra solução é passar com uma alfaia de triturar e misturar com o solo, o que garante que o solo se mantém com matéria orgânica.
Em alguns casos, dependendo do tipo de árvore e terreno até é vantajoso deixar uma camada a apodrecer sobre o solo... o que garante a humidade do mesmo.... e nem sequer arde.
No tempo dos nossos avós não havia incêndios, e não havia centrais de queima, mas também ninguém lucrava com os incêndios como agora...
Seja como for a queima implica sempre libertar CO2 entre outras coisas... mais vale enterrar os resíduos, e dessa forma aprisionar o CO2.
Não vale a pena insistir nisto... cada um tem a sua opinião. Mas é estranho que estejamos a voltar a época da lenha.

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