vamos lá ver, eu não falei de gosto pessoal ou qualquer outro, estava a falar apenas de associarem motores desportivos a motores ci e darem a entender que os evs ou híbridos não tinham, o que é falso pelas razões que referi acima.
de qualquer modo já que falaram em gosto, fazemos fazer uma pequena análise ao que isso é e de onde advém.
afinal de onde vem o nosso gosto pelos motores ci, pela tecnologia que vingou à cerca de 90 anos.
o “nosso gosto”, na verdade é-nos impingido por um grupo de interesses económicos existente desde o
princípio do século 20, que quis controlar um mercado de combustíveis que viam com perspectivas de grandes lucros - suponho eu que nunca imaginaram, nem sequer em sonhos as verdadeiras verbas e o poder que futuramente daria.
controlar os combustíveis é um dos maiores poderes existentes no mundo actual - basta ver o caso da opep - além do seu negócio/lucro ser o maior financiador de grupos terroristas e da propaganda do fanatismo de grande parte dos países produtores.
basta ler um pouco das notícias actuais, para nos apercebermos da importância deste assunto, pois quase todos os países “ocidentais” falam em reduzir a sua dependência do petróleo, não só devido ao problema da balança comercial como também à segurança nacional, pois uma greve ou um corte dos países produtores poderá ser suficiente para fazer explodir a economia de um país.
alguns sabem, outros ficarão a saber, que os primeiros carros existentes foram eléctricos, datam de
1835 (professor
sibrandus stratingh e o seu assistente
christopher becker), ainda o
rudolph diesel (nasceu em
1858) e o
karl benz (nasceu em
1844) não eram nascidos.
hoje em dia existem alguns clássicos da altura, um deles o baker electric pertencente à célebre garagem do jay leno e que ainda funciona e
mantém as baterias originais, umas edison cells, para quem fala do problema da garantia e da durabilidade das baterias, estas são um bom exemplo e feitas há cerca de 100 anos.
a 1ª vez que o homem passou a barreira dos 100 km/h foi num carro eléctrico (jamais contente) conduzido por camille jenatzy, belga, em 29 de abril de 1899, tinha o motor a diesel 2 anos de existência (1897) e o motor a gasolina 20 anos (1879).
características do jamais contente:
2 motores postel-vinay de 25 kw a 200 v, 124 a com cerca de 68 cv.
no início do século 20, as vendas de carros eléctricos eram muito superiores aos carros a diesel/gasóleo ou a gasolina.
infelizmente devido a limitações do sector eléctrico de produção, ao escasso desenvolvimento de uma tecnologia à base de transistores e aos interesses altamente instalados, que pretendiam controlar países e ter poder, os carros eléctricos foram preteridos em relação aos de ci, por volta de 1930 praticamente já não existiam vendas de evs.
ter uma matéria prima difícil de extrair, difícil de refinar, e inacessível a qualquer cidadão e mesmo a pequenos grupos empresariais é a forma ideal de controlar uma fonte de energia, poder manipulá-la e exercer o poder.
bem diferente da facilidade de obtenção da energia eléctrica e de poder ser produzida pessoalmente e de variadas maneiras.
basta ver o que acontece em portugal, com um crescimento de 1 % do preço do petróleo desde o início do ano e um aumento no mesmo período de
10 % na gasolina e
14 % no gasóleo. simples roubo e monopólio dos preços. apesar da autoridade da concorrência negar consistentemente o que todos vêem.
agora vamos fazer um exercício de “ses”:
e se tivessem vingado os carros eléctricos, se os interesses do sector eléctrico tivessem mais poder e a evolução da tecnologia tivesse sido mais rápida.
agora estaríamos todos a conduzir carros eléctricos, e de certeza que todos gostaríamos e defendíamos a sua existência.
desde que adquiríamos a consciência de estar neste mundo, apenas tínhamos experiência com carros eléctricos. e tínhamos crescido a ver filmes, séries, corridas, os carros dos nossos pais, tudo eléctrico.
e agora outro “se” ainda mais maluco...
de repente começavam a aparecer carros a combustão, diesel e a gasolina e os ambientalistas começavam a dizer que eram muito melhores, pois tínhamos imensas reservas de petróleo e poluíam muito menos o ambiente do que a produção eléctrica necessária para os carros evs.
imagino as críticas da grande maioria a afirmar que nunca mudariam, pois o barulho dos carros, o cheiro, a chatice de colocar mudanças, etc… era inconcebível de aturar.
penso que estou a fazer-me entender sobre o nosso gosto, ser nosso, ou afinal ser imposto há décadas por um conjunto de interesses e de vicissitudes do destino.
infelizmente ou felizmente, depende dos casos, existem sempre grupos de interesse/poder que são os que “fazem” o nosso gosto e que encaminham os nossos desejos para aquilo que lhes interessa, tanto por poder e/ou dinheiro.
devido a isto, é que o nosso gosto, seja de que assunto for, não é um dado, nem nunca pode ser decisivo na evolução e progresso da tecnologia, sociedade, melhor dizendo humanidade. por isso mesmo é que a ciência não tem gosto, e rege-se por dados e experiência.
mesmo que a maioria queira uma qualquer mudança tecnológica, social, política, etc…e que a nossa sabedoria/experiência/ciência apresente dados em como está errada e é prejudicial à humanidade, ela nunca poderá ser efectuada e ir avante – seria bom que isto fosse sempre verdade…
quando pensamos que é o nosso gosto, muitas vezes devemos pensar mais além e perceber, se o é de facto, ou se é apenas o que a sociedade, e quem a controla, que o define sem nos apercebermos...
deixo este pensamento para praticamente tudo nesta vida e não só o mundo automóvel.
não sei porquê, mas acho que já me alonguei demais...