Artigos relacionados com o ambiente

Para assuntos relacionados com o meio ambiente que não tenham nenhuma relação com energias.
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Nações Unidas querem estudar ruído que a humanidade faz no mar
17.08.2011

A humanidade está a emitir cada vez mais ruído no oceano, e as Nações Unidas querem agora perceber que impacto é que esse barulho está a ter na vida marinha. Para isso, vão lançar um projecto de investigação que durará uma década e será apresentado numa conferência no final de Agosto.

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As baleias podem ter aumentado o volume dos guinchos

“Muitas das espécies marinhas dependem maioritariamente do som como fonte de informação ambiental, da mesma forma que os humanos dependem da sua visão”, disse nesta quarta-feira a UNESCO, que anunciou que a reunião está agendada de 30 de Agosto a 1 de Setembro, em Paris.

“Apesar de haver pouca investigação que prove esta ligação, há uma suspeita crescente que o aumento dos níveis de ruído, e de alguns sons em particular, estão a alterar o comportamento de animais marinhos e talvez até estejam a reduzir a capacidade de estas realizarem as funções normais da vida como encontrar comida, procurar parceiros ou evitar os predadores”, defendeu a UNESCO.

Um dos exemplos que a organização apresenta refere-se às baleias. Há pesquisas que sugerem que várias espécies de baleias aumentaram o volume dos gemidos, cliques e guinchos que fazem para comunicar entre si.

Na reunião vão estar cientistas marinhos de topo, representantes do sector privado e das organizações militares que irão planear como é que vai ser realizada a experiência. O projecto terá o nome de Experiência do Oceano Tranquilo. Espera-se que estes dez anos de pesquisa preencham as lacunas de conhecimento que existem hoje, e que permitam uma melhor e mais informada gestão do ruído feito nos oceanos.

http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx ... cosfera%29
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Preço do marfim dispara matança de elefantes no Quénia
18/08/2011

A caça furtiva de elefantes na reserva Samburu, no Quénia, disparou devido ao aumento do preço do marfim. O número de capturas nos últimos dois anos e meio é superior ao total dos onze anos anteriores e o pior cenário registou-se nos primeiros cinco meses de 2011. A China é o principal mercado deste negócio ilegal que ameaça extinguir os elefantes.

Segundo o El País, a situação dramática na Reserva Natural de Samburu foi descrita pela Nature. De acordo com um artigo de três especialistas publicado por esta revista, o aumento da caça furtiva deve-se "à subida do preço do marfim no mercado nego, que quase duplicou desde 2007 e que é actualmente de uma magnitude superior ao dos anos 90". "Com os preços actuais, o marfim dos elefantes maiores caçados em Samburo equivale a um ano e meio de salário dos guardas do parque ou a 15 anos de salários dos trabalhadores não qualificados. Nos últimos tempos, quase triplicaram as capturas de marfim ilegal no Quénia ou procedentes deste país africano", escreve o jornal espanhol, citando os peritos da Nature.

George Wittemyer (Colorado State University, EUA) e dois colegas seus do Quénia que fazem parte da organização Save the Elephants dizem que a caça furtiva provocou um rombo significativo no número de machos, que são agora metade do número de fémeas. Mas a matança estende-se agora também às fémeas adultas, o que está a colocar em risco a sobrevivência de vários grupos de elefantes: uma em cada cinco famílias tem falta de fémeas adultas, essenciais na estrutura dos grupos, pois são as matriarcas que lideram as famílias, e o número de crias órfãs aumenta rapidamente.

"A procura de marfim e os preços alcançaram um nível tal que os caçadores furtivos põe na sua mira inclusive áreas bem protegidas e populações de elefantes vigiadas. Com muitas populações pouco vigiadas e já sobre-exploradas, a pressão sobre os elefantes do Samburo pode ser um anúncio do que se pode esperar nas áreas protegidas de África", indica o texto da Nature.

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interio ... o=Biosfera
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Identificadas 100 espécies diferentes no Banco de Gorringe
18 de Agosto de 2011

Mais de 100 espécies marinhas diferentes, entre as quais golfinhos pintados, foram identificadas no Banco de Gorringe, ao largo de Sagres, uma das seis montanhas submarinas mais importantes do mundo, numa expedição da organização internacional de conservação marinha Oceana.

A cientista marinha da Oceana, Ana de la Torriente, disse à agência Lusa que durante a expedição, que decorreu em junho e julho, foram encontrados importantes bosques de algas, campos de esponjas de profundidade, bosques de coral negro e extensos leitos de ostras.

Foram ainda identificadas mais de 100 espécies diferentes, entre as quais se encontram golfinhos pintados e baleias como o rorqual, pennatularias, bruxas e peixes como o olho-de-vidro, apara-lápis, moreias e safios.

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?s ... ews=526999
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Os animais e as plantas estão a fugir para longe do calor
18.08.2011

Os animais e as plantas estão a fugir para latitudes frias e para altitudes maiores nas últimas quatro décadas devido às alterações climáticas, mostra um estudo publicado nesta quinta-feira na edição online da revista Science.

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Muitas espécies poderão não conseguir fugir às alterações climáticas

“Estas alterações são o equivalente aos animais e às plantas a distanciarem-se do Equador 20 centímetros por cada hora, todas as horas do dia, todos os dias do ano”, explicou em comunicado Chris Thomas, biólogo e professor da Universidade de York, e líder do projecto que originou o artigo.

A equipa analisou informação de duas mil espécies de animais e plantas. Segundo o resumo do artigo “a distribuição das espécies alterou-se recentemente para altitudes superiores a uma média de 11 metros por década, e para latitudes maiores a uma média de 16,9 quilómetros por década”. Estes resultados são em média duas a três vezes superiores aos estudos que já se tinham feito.

A informação recolhida foi de espécies de aves, animais, répteis, insectos, aranhas e plantas, na Europa, América do Norte, Chile, Malásia e na ilha de Marion, no sul de África . “Mostrámos pela primeira vez que as mudanças de distribuição das espécies estão relacionadas com o grau das alterações climáticas numa dada região”, explicou, citada pela AFP, I-Ching Chen, a primeira autora do artigo, que fez o doutoramento na Universidade de York.

Mas estas mudanças não são lineares. Há espécies que viajam muito para norte, outras menos, há outras que se mantêm com a mesma distribuição, mas tornam-se mais frequentes nas áreas dessa região que são mais frias e diminuem de frequência nas zonas mais quentes. Há casos em que outras condicionantes, como a redução do habitat, travam migrações que pareceriam óbvias sob a óptica das alterações climáticas.

Na Grã-Bretanha, a borboleta Fabriciana adippe “esperar-se-ia que viajasse para norte se as alterações climáticas fossem a única coisa a afectá-la, mas na verdade tem vindo a diminuir por causa da perda de habitat”, disse em comunicado David Roy, co-autor do artigo. O especialista refere-se ainda à Polygonia c-album, uma borboleta comum na Grã-Bretanha, que, "em duas décadas, se moveu 220 quilómetros do centro da Inglaterra para Edimburgo”.

Apesar de este estudo não prever as consequências destes efeitos, que se espera que continuem a sentir-se ao longo deste século, Chris Thomas defende que as histórias não vão ser todas iguais: “A rapidez com que as espécies estão a mover-se devido às alterações climáticas indica que muitas estão realmente a ir em direcção à extinção, devido à deterioração das condições climáticas. Por outro lado, outras espécies estão a mover-se para novas áreas onde o clima se tornou apropriado, por isso vão haver alguns ganhadores, assim como perdedores.”

http://www.publico.pt/Ci%EAncias/os-ani ... cosfera%29
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Ambientalistas denunciam descarga poluente no Rio Paiva

19 de Agosto de 2011

A Associação ambientalista SOS Rio Paiva denunciou esta sexta-feira uma descarga poluente da ETAR de Vila Nova de Paiva, distrito de Viseu, no rio, que considera que é dos menos poluídos da Europa. A autarquia afirma que «é uma tempestade num copo de água».
Há cerca de dois anos a poluição do Rio Paiva andou nas capas dos jornais devido a descargas da ETAR municipal. Agora, a SOS Rio Paiva volta a denunciar uma nova descarga poluidora. «Encontrámos o rio num estado lastimável, extremamente poluído, água baça, cheiros nauseabundos e nuvens de mosquitos», revela a SOS Rio Paiva.

Contudo, José Morgado, presidente da autarquia de Vila Nova de Paiva, disse à Lusa que esta situação se trata de uma «tempestade num copo de água» porque a monitorização do rio é feita regularmente e as análises revelam a qualidade da água «dentro dos parâmetros consentidos».

O autarca lembra que o Rio Paiva é alvo de um projecto europeu para estudar a sua fauna e flora que envolve várias associações ambientalistas europeias. O projecto visa a preservação dos rios, da biodiversidade e a partilha de estudos e de conhecimento científico que dá pelo nome inglês de «AARC - Atlantic Aquatic Resource Conservation», (Conservação dos Recursos Aquáticos Atlânticos).

José Morgado admite que houve um «pequeno incidente» que o próprio constatou e que apenas se tratou de uma «lavagem de um tanque de tratamento secundário» da ETAR.

Perante esta situação, a associação SOS Rio Paiva aproveita e chama à atenção para a existência de diversas fontes de poluição ao longo do curso da água.

O Rio Paiva, um dos principais afluentes do Douro, que nasce na Serra da Nave, em Moimenta da Beira e desagua em Castelo de Paiva, é considerado um dos menos poluídos do país e com fama de ser dos poucos a albergar uma considerável presença de trutas.

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?s ... ews=527123
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Açores: Lagoa das Furnas «não é um caso perdido»
19 de Agosto de 2011

O secretário regional do Ambiente, Álamo Meneses, assegurou hoje que a Lagoa das Furnas, em S. Miguel, Açores, «não é um caso perdido», frisando que a situação em que se encontra a água «não é irreversível».

«A Lagoa das Furnas não é um caso perdido, nem está condenada a transformar-se num pântano. A situação em que se encontra não é irreversível», afirmou Álamo Meneses em declarações aos jornalistas durante uma visita à lagoa, que é um dos ex-libris de S. Miguel.

A coloração amarela da água da lagoa é originada por uma «grande densidade de cinobactérias, em que predomina a espécie que dá esta cor», afirmou, acrescentando que em anos anteriores, devido à presença maioritária de outras espécies, a água teve outras cores, como verde ou azul.

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?s ... ews=527154
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Biocombustíveis podem ser solução para poluição dos aviões
18/08/2011

A aviação é responsável pela emissão de 2% de gás carbônico e de 3% de todos os tipos de gases de efeito estufa (GEEs) e poderá triplicar esses números até 2050 se nenhuma ação for tomada.

O alerta foi dado por Guilherme Freire, diretor de estratégias em meio ambiente e tecnologias da Embraer, em apresentação na primeira BBEST - Conferência Brasileira de Ciência e Tecnologia em Bioenergia (Brazilian Bioenergy Science and Technology Conference), que ocorre até o dia 18 de agosto em Campos do Jordão, interior de São Paulo.

Segundo o executivo, a aviação emitiu 628 milhões de toneladas de gás carbônico em 2010, e as projeções indicam que as emissões chegarão à casa do 1,2 bilhão ou 1,4 bilhão de tonelada em 2030, dependendo do cenário de crise ou crescimento econômico.

A expansão está relacionada especialmente ao desenvolvimento do setor nos países em desenvolvimento.

"Apesar da elevação das emissões, a aviação evoluiu tecnologicamente para reduzi-las, especialmente no que se refere ao aumento da eficiência dos combustíveis. Se o desenvolvimento tecnológico tivesse estacionado ao obtido nos anos 1990, o setor estaria emitindo 1 bilhão de toneladas de gás carbônico hoje. A meta global do setor é reduzir em 50% as emissões em 2050, comparado com os números de 2005", disse.

Biocombustíveis para aviões

Freire explicou que o uso de biocombustível não pode requerer mudanças drásticas nos aviões ou nos motores existentes, por questão de custo. "Qualquer alteração substancial na configuração de um avião ou em seu motor gera impactos, principalmente na questão da segurança, o que eleva o preço do avião e pode tornar inviável o uso de biocombustível", destacou.

Também para não ampliar os custos, é preciso obter biocombustíveis que possam ser misturados ao já utilizado e que não precisem de infraestrutura específica e diferenciada para serem utilizados.

Do ponto de vista técnico, um dos maiores desafios é manter a estabilidade térmica e a boa fluidez nas altas altitudes. Do contrário, pode haver congelamento do combustível nos tanques.

"Ou seja, bioetanol e biodiesel para automóveis não são compatíveis com as demandas requeridas pelo biocombustível para aviação. É preciso harmonizar, em nível global, os critérios de sustentabilidade", disse Freire.

Competição pela biomassa

Ele também afirmou que a diversificação de matérias-primas para biocombustíveis é uma preocupação. "Não só a aviação precisa ser sustentável, mas outros segmentos da indústria também. A competição pela biomassa entre indústrias é uma questão-chave", apontou.

Entre as aplicações industriais que levam à competição pelo uso da biomassa, Freire identificou o combustível para automóveis, para aviação, para veículos pesados, como caminhões, e para produção de lubrificantes, produtos da química fina e polímeros.

* Biocombustível para aviões será feito a partir do lixo

Freire também falou sobre alguns testes já feitos por companhias aéreas com o uso de biocombustíveis, como o da Continental Airlines, em 2009, que usou alga e jatropha (planta da família Euphorbiaceae) como matéria-prima e uma mistura de 50% desse biocombustível em um dos motores.

Outro exemplo é o da TAM, que em novembro de 2010 usou jatropha e também 50% de mistura em um motor. Um dos últimos testes em voo foi feito em 1º de abril deste ano, pela Interjet, com uma mistura de 27% de biocombustível produzido a partir da jatropha em um motor.

Primeiro biocombustível para aviação

O executivo da Embraer citou a ASTM 4054 (Standard Practice for Qualification and Approval of New Aviation Turbine Fuels and Fuel Additives), iniciativa internacional para certificação do primeiro biocombustível para aviação comercial e que envolve empresas como Boeing, Airbus, Honeywell, Rolls Royce, GE e outras.

Em julho de 2011, a ASTM certificou o primeiro processo para produção de biocombustível, chamado de HEFA (Hydroprocessed Esters and Fatty Acids) - ésteres hidroprocessados e ácidos graxos).

No Brasil, Embraer, Amyris, GE e a empresa aérea Azul participam de um consórcio que está desenvolvendo o processo DSHC (Direct Sugar to Hidrocarbon Process), um dos que devem ser certificados pela ASTM até 2015.

Junto com as empresas Amyris e Virent, o processo usa reações catalíticas e fermentação bioquímica feita por organismos geneticamente modificados para produzir as moléculas de hidrocarbonetos para o biocombustível. O produto será testado pela Azul no ano que vem.

http://www.inovacaotecnologica.com.br/n ... 0125110818
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Primeiros rios do Google Street View vão ser fotografados na Amazónia
20.08.2011

A maior floresta tropical do mundo, a Amazónia, vai poder ser descoberta a partir de casa. O Google Street View chegou ao noroeste do Brasil e as primeiras fotografias, do Rio Negro, já estão disponíveis online. Os promotores do projecto querem que as imagens panorâmicas destes lugares remotos sirvam de alerta para os perigos da desflorestação.

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O Google Street View começou por fotografar o Rio Negro, afluente do Amazonas

A ideia surgiu em Copenhaga, há dois anos, quando o superintendente da Fundação Amazonas Sustentável (FAS), Virgilio Vianna, conheceu dois executivos do Google durante um debate sobre alterações climáticas. “Propus a ideia e foi imediatamente aprovada. Dois anos depois, estamos aqui”, diz Virgilio Vianna, citado pela BBC.

Aqui é a Reserva Florestal do Rio Negro, paragem inaugural, para testar o equipamento do Google Street View em cima de um barco. É a primeira vez que é usado para fotografar panorâmicas com centro na água. E aqui é também a comunidade de Tumbira, a duas horas de Manaus, capital estadual.

A equipa do Google que está no Brasil – para treinar funcionários da FAS e alguns nativos, que serão os responsáveis pelo grosso do trabalho – convocou uma reunião em Tumbira para revelar aos seus habitantes o propósito do projecto, que registará o quotidiano desta comunidade, tal como já aconteceu em Nova Iorque, Londres ou Lisboa.

“O que queremos é que estas pessoas mostrem a floresta e as suas comunidades do seu ponto de vista”, nota Virgilio Vianna. “É muito importante mostrar o ambiente e o modo de vida da população nativa, mas também sensibilizar o mundo para os desafios das alterações climáticas, da desflorestação e do combate à pobreza”, sublinha.

A FAS, organização não-govermental criada para promover a preservação da biodiversidade no Amazonas, quer sobretudo que estas fotografias sirvam para relevar as consequências das actuais políticas globais para o ambiente, com destaque para os efeitos da desflorestação na paisagem.

Ao nível técnico, este projecto é também um desafio para o Google. Além das fotografias feitas a navegar no Rio Negro e no Rio Amazonas (o segundo mais extenso do planeta), há ainda a floresta e a troca dos automóveis por um tripé com rodas para passear o equipamento pelas comunidades locais.

“Tudo aqui é muito diferente. Estamos acostumados a fazer imagens de lugares que têm endereços formais, o que não é o caso destas comunidades, e muito menos dos rios e da floresta”, observa Tuxen-Bettmen, do Google. O resultado final poderá depois ser visto no Google Maps e no Google Earth, com fotografias de alta definição de uma das regiões menos acessíveis do planeta.

http://www.publico.pt/Sociedade/primeir ... cosfera%29
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Água: Acesso ser «um princípio de solidariedade»
20 de Agosto de 2011

O especialista em água da organização ambientalista WWF em Portugal defendeu hoje que a água potável representa uma percentagem tão ínfima da água utilizada nas atividades económicas que devia fazer parte de «um princípio de solidariedade».

Afonso do Ó falava à Lusa a propósito da Semana Mundial da Água, que decorre de 21 a 27 de agosto em Estocolmo, na Suécia, com o tema «Respondendo às mudanças Globais: A Água num Mundo em Urbanização».

Numa altura de crise, em que há pessoas a viverem sem condições, este bem pode não ser acessível a todos: «O acesso à água depende, neste momento, quase sempre de uma ligação formal ao serviço que a fornece. Portanto, não é garantido que qualquer pessoa possa ter acesso a este bem», adianta Afonso do Ó.

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?s ... ews=527168
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Funchal: Hortas urbanas são passatempo, fuga à crise e “amor pela terra”
22 de Agosto de 2011

É por entre alfaces, tomates e couves que Marco Costa, de 34 anos, desempregado há sete meses, se entretém ao final do dia na horta urbana que a Câmara Municipal do Funchal lhe cedeu gratuitamente.

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“Eu não percebo nada disto, todos os dias vou aprendendo, depois as pessoas que sabem mais do que eu vão-me ensinando”, contou à agência Lusa Marco Costa, reconhecendo que a experiência da hotelaria, o seu último emprego, não lhe deu traquejo para a atividade agrícola que, por força do desemprego, agora conheceu.

A prática, essa, já lhe permite concluir que da horta – uma das 302 que o município disponibiliza – sai uma parte do sustento familiar.

“[Poupa-se], muito, muito, muito dinheiro”, garantiu Marco Costa, que aprendeu outra lição: “A nossa terra é boa para cultivar, seja em qualquer uma parte da ilha”.

Para Alice Mota, de 64 anos e aposentada, a horta está a revelar-se uma “terapia”.

“Os meus pais tinham terra e eu fui criada assim, a trabalhar também na terra quando era nova”, contou, enquanto cortava ervas que teimam em crescer com as nabiças.

João Góis, de 63 anos, que todos os dias no verão “pica o ponto” na horta, explicou por que se candidatou a ter o seu espaço: “É um passatempo para as pessoas reformadas como eu, é um anti-stress”.

Do que a horta lhe dá – que inclui inhame, feijão, cenoura, batata, pimpinelas ou maracujá – João Góis parte e reparte por familiares e amigos, afiançando que o espaço até permite fazer convívios.

“Isto é quase como um centro de dia”, disse, por seu turno, Matilde Oliveira, de 75 anos, justificando a candidatura à horta urbana com o desejo do neto adolescente: “Ele ganhou amor pela terra (…), mas queria uma terra pequenina”.

O projeto das hortas urbanas municipais do Funchal, iniciado em 2005, está implantado em cerca de 20.800 metros quadrados de cinco das dez freguesias do concelho e tem, neste momento, 124 candidatos em lista de espera.

“A câmara esgotou a bolsa de terrenos que tinha”, explicou à agência Lusa o vereador com o pelouro do Ambiente, Costa Neves, adiantando que devido à “grande” procura a autarquia já arrendou dois terrenos onde instalou um total de 68 hortas, pagando pela sua utilização uma renda mensal de 840 euros.

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Para Costa Neves, as hortas urbanas não são “apenas uma moda”, mas já entram “no campo da necessidade”.

“A produção que um destes lotes tem, se for bem gerido em termos de culturas é o suficiente para abastecer um agregado de quatro pessoas ao longo de todo o ano e ainda sobram excedentes que as pessoas ou permutam ou dão ou vendem”, referiu Costa Neves.

Em setembro, está prevista a entrega de mais 42 lotes, mas de lado está a possibilidade dos munícipes pagarem pelas hortas: “A câmara acha que isto tem um fator humano e social muito importante”, sublinhou.

“Além de ser útil em termos de produção agrícola e de qualidade alimentar, tem a componente lúdica, recreativa e espiritual muito importante: enquanto as pessoas estiverem ocupadas (…), penso que vão esquecer muita da crise que por aí grassa”, observou o vereador com o pelouro do Ambiente.


http://noticias.sapo.pt/infolocal/artigo/1179128.html
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Traçado da linha de alta tensão Carregado-Rio Maior chumbado
23 de Agosto de 2011

O traçado da linha de alta tensão Carregado - Rio Maior teve um parecer negativo por afetar a área protegida da Serra do Montejunto e a paisagem vinhateira do concelho de Alenquer, revelou hoje fonte do Ministério do Ambiente.

A Declaração de Impacto Ambiental (DIA), emitida a 29 de julho e a que a agência Lusa teve acesso, foi «desfavorável» ao projeto, após decisão do Ministério do Ambiente baseada no parecer da comissão de avaliação e no relatório da consulta pública, na qual participaram 11 entidades.

Antes da DIA, o Governo havia decidido suspender o prazo para a sua emissão para audiência prévia do proponente, a Rede Elétrica Nacional (REN).

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?s ... ews=527532
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Planeta Terra tem 8,7 milhões de espécies conhecidas
23 de Agosto de 2011

O planeta Terra tem 8,7 milhões de espécies conhecidas, das quais 2,2 milhões estão nos oceanos, mas ainda existem muitas por descobrir, descrever e catalogar, conclui um estudo hoje divulgado pela publicação PLoS Biology.

A nova estimativa das espécies surge através dos cientistas do Census da Vida Marinha e baseia-se numa nova técnica de análise que ultrapassa as anteriores estimativas, onde era apontado um número entre três e 100 milhões.

Os especialistas salientam que 86 por cento de todas as espécies na terra e 91 por cento daquelas que povoam os oceanos ainda são desconhecidas.

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?s ... ews=527594
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Terra: Mais de 80% das espécies por descobrir
24 de Agosto de 2011

O planeta Terra albergará 8 milhões e 700 mil formas de vida diferentes. Deste total, 86% das espécies terrestres e 91% das espécies marinhas ainda não foram registadas. Esta é a conclusão de um estudo publicado na edição de agosto do jornal PLoS Biology.


Os cientistas conseguiram, pela primeira vez, chegar a uma estimativa precisa e rigorosa do número de espécies do planeta Terra. A descoberta foi liderada pelo ecologista Camilo Mora da University of Hawaii.

No texto do estudo, o investigador salienta que, se um extraterrestre visitasse o nosso planeta, a primeira pergunta que faria seria esta: “Quantas formas de vida – ou espécies - diferentes tem o vosso planeta?’’. Pergunta à qual, até agora, não saberíamos responder.

Ou seja, uma das características mais importantes da vida é a sua diversidade, explica Camilo Mora, sublinhando que, apesar, disso em 250 anos os cientistas não conseguiram chegar a uma estimativa real relativamente ao número de espécies do planeta.

“É a primeira vez que conseguimos desenvolver um método que fornece um número e o número a que chegámos foi de 8.7 milhões de espécies. É um valor preciso e rigoroso porque temos forma de o validar”, sublinha o investigador.

Anteriormente, as estimativas dos cientistas apontavam para valores tão díspares como três milhões ou 100 milhões de espécies, acrescenta Camilo Mora.

Novo método

Mora e os seus colegas elaboraram a estimativa com base num padrão do número de grupos existentes na taxonomia, disciplina responsável pela classificação de organismos vivos.

Ou seja, avaliaram como as formas de vida podem distinguir-se na hierarquia piramidal das espécies, encontrando relações numéricas constantes e compartilhadas por todos os organismos.

Assim, foram obtidas as seguintes estimativas detalhadas:

- 7,77 milhões de espécies animais (953.434 das quais catalogadas)
- 298.000 espécies de plantas (215.644 catalogadas)
- 611.000 espécies de fungo (43.271 catalogadas)
- 36.400 espécies de protozoários (8.118 catalogados)
- 27.500 espécies do reino Chromista, de que fazem parte alguns parasitas e algas (13.033 catalogadas)

Saber quantas espécies existem no mundo é importante porque a ação humana está a acelerar o ritmo das extinções. Este levantamento pode evitar que as espécies desapareçam sem serem catalogadas e promover estratégias de conservação.

O estudo avisa, no entanto, que a descrição e catalogação de todas as espécies por identificar – mesmo com o novo método – deveriam exigir 1.200 anos de trabalho. Contudo, o estudo aponta também a importância de novas técnicas, como o DNA Barcoding, que tornam todos estes processos mais céleres.

http://www.boasnoticias.pt/noticias_Ter ... _7772.html
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Re: Artigos relacionados com o ambiente

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Já arderam 450 hectares de áreas protegidas este ano24 de Agosto de 2011

Os incêndios já atingiram, este ano, 450 hectares de áreas protegidas, principalmente na Serra da Estrela. É uma área menor do que em anos anteriores, segundo o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade.

A maior parte das áreas ardidas são "matos com pouco interesse em termos de biodiversidade", explicou Tito Rosa, presidente do Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB). E a área ardida é menor do que em outros anos devido a factores climáticos, acrescentou.

Quanto aos trabalhos de recuperação das áreas protegidas afectadas por incêndios, no Gerês e Serra da Estrela, é esperada resposta a candidaturas a apoios do PRODER (programa de desenvolvimento rural), acrescentou.

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?s ... ews=527696
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Bactérias transgénicas podem ajudar a limpar águas
24 de Agosto de 2011

As bactérias transgénicas podem ajudar na limpeza de águas contaminadas com mercúrio, um metal extramamente tóxico para humanos e animais. A conclusão é de um estudo da Universidade Interamericana de Porto Rico.

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Segundo a pesquisa, as bactérias transgénicas (organismos geneticamente modificados) são capazes de proliferar numa solução que contém 24 vezes a dose de mercúrio que é considerada mortal para as bactérias comuns. Estas bactérias têm ainda a capacidade de absorver, em cinco dias, 80% do mercúrio contido no líquido.

Assim, estes organismos podem limpar as águas contaminadas com mercúrio e ainda recuperar este produto para ser utilizado em novas aplicações industriais.

O estudo, coordenado por Oscar Ruiz, fornece uma alternativa às dispendiosas técnicas de descontaminação que são hoje utilizadas.

Dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente revelam que a indústria química e da mineração liberta 6.000 toneladas de mercúrio para o meio ambiente. Esta substância, extremamente tóxica, pode entrar facilmente na cadeia alimentar e afetar várias espécies, incluindo a nossa.

http://www.boasnoticias.pt/noticias_Bac ... _7752.html
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'El Niño' duplica o risco de guerras civis
25/08/2011

Estudo publicado hoje na revista 'Nature' demonstra pela primeira vez esta correlação

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A vermelho, os 90 países das regiões tropicais sob a influência do El Niño e com mais risco de eclosão de conflitos

Muitos cientistas aceitam que o fim da civilização Maia foi apressado por uma alteração drástica do clima, e episódios de temperaturas extremas têm sido associados a picos de conflito em África. Mas agora, pela primeira vez, investigadores dos Estados Unidos propõem algo mais taxativo: uma correlação clara entre um fenómeno climático global, o El Niño-Southern Oscillation (ENSO), e o surgimento de guerras civis nas regiões tropicais, num total de 90 países. A equipa coordenada por Solomon Hsiang, da universidade de Columbia, escreve na Nature que os dados "mostram que a probabilidade de surgirem novos conflitos civis nos países tropicais duplica nos anos de El Niño".

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interio ... id=1961503
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Esposende: Centro de Educação Ambiental custou 1 M€
25 de Agosto de 2011

A Câmara de Esposende inaugurou o Centro de Educação Ambiental (CEA), um investimento de um milhão de euros e que integra a exposição permanente «Ambiente interativo», informou hoje o município.

Situado na Quinta do Paiva, freguesia de Marinhas, o equipamento dispõe de biblioteca equipada com publicações relacionadas com o meio ambiente, ecoteca, auditório com 70 lugares sentados e sala de atividades.

No exterior, integra as oficinas de trabalho do «Verdinho» e do «Caça Sujões», hortas pedagógicas, horto municipal, trilho da biodiversidade, cantinho da compostagem e parque de merendas.

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?s ... ews=527770
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Rio subterrâneo de 6 mil km abaixo do Amazonas
26/08/2011

Investigadores brasileiros descobriram indícios da existência de um rio subterrâneo de mais de seis mil quilómetros de extensão, que corre abaixo do rio Amazonas, no Brasil, segundo informa o Observatório Nacional.

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A descoberta, que faz parte de um trabalho de doutoramento realizado na instituição, foi feita a partir da análise das temperaturas de 241 poços profundos perfurados pela Petrobras, nas décadas de 1970 e 1980.

"A partir dos resultados obtidos, foi possível identificar a movimentação das águas subterrâneas em profundidades de até 4.000 metros nesta região", explica, em comunicado, a instituição responsável pela investigação.

O curso de água subterrâneo encontrado possui um percurso similar ao do rio Amazonas, e corre a um fluxo de 3 mil metros cúbicos por segundo.

Essas características, segundo o professor orientador da investigação, Valiya Hamza, são semelhantes às de um rio subterrâneo. Em sua homenagem os investigadores decidiram baptizar a nova descoberta de "Rio Hamza".

O estudo abrange as áreas das bacias sedimentares dos rios Acre, Solimões, Amazonas, Marajó e Barreirinhas, todos com leitos nas regiões norte e nordeste do Brasil.

O rio Amazonas é considerado o segundo rio mais extenso do mundo e o de maior fluxo de água por vazão. A nascente deste rio está localizada no sul do Peru, mas a maior parte do leito corre em território brasileiro, no estado do Amazonas.

http://www.dn.pt/inicio/ciencia/interio ... o=Biosfera
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Degelo acentuado abre duas rotas de navegação no Árctico
26.08.2011

Pela segunda vez desde que há registo, duas rotas de navegação do Árctico estão desimpedidas devido ao degelo que ocorre no Verão, anuncia a Agência Espacial Europeia (ESA, na sigla em inglês).

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O gelo está a desaparecer no Pólo Norte durante o Verão

Os degelos recordes no Árctico na altura de Verão não são novidade. A área de gelo na região polar, que é monitorizada por satélite desde 1979, tem vindo a diminuir. O recorde foi atingido em 2007, em Setembro. Ainda não se sabe se este ano a área vai diminuir mais ou não.

Entretanto, tal como já aconteceu em 2008, as duas grandes rotas de navegação do Árctico já estão abertas. Primeiro foi a Rota do Mar Nórdico (também conhecida como Rota do Nordeste), que liga o oceano Atlântico ao Pacifico pelo mar a norte da Rússia. A partir de meados de Agosto esta via ficou sem gelo e tornou a passagem de navios viável.

Nos últimos dias, os satélites mostram que a Rota Noroeste também ficou livre de gelo. Esta rota liga o Atlântico ao Pacífico através dos canais árcticos que passam entre as ilhas do Norte do Canadá.

As rotas “estão abertas frequentemente, no sentido em que com algum esforço consegue-se atravessar”, disse à BBC Peter Wadhams, um especialista do Árctico da Universidade de Cambridge. “Mas desta vez elas estão realmente abertas, com navios do tamanho daqueles que passam pelo [canal do] Suez a passar pela Rota do Mar Nórdico – isto é um grande passo em frente.”

A BBC adianta que um grande número de empresas está à espera de que estas rotas tornem-se numa opção viável, já que vão encurtar a distância dos percursos e reduzir custos.

A rota que passa pelo Canadá é, segundo Wadhams, menos confiável do que a que passa pela Rússia, por ser formada por canais pequenos entre ilhas, que podem mais facilmente acumular gelo. Além disso, há uma questão de soberania contestada pelo Canadá, que dificulta as questões legais da travessia.

Nos últimos cinco anos, o degelo do Árctico foi o mais baixo desde que há registo. Este ano segue a tendência, mais ainda não se sabe se será ultrapassado o recorde de 2007. “A área mínima de gelo ainda está a três ou quatro semanas de distância, muito depende das condições meteorológicas no Árctico”, disse à ESA Leif Toudal Pedersen, cientista do Instituto Meteorológico da Dinamarca. “Quer se atinja um mínimo absoluto ou não, este ano confirma que estamos num novo regime, com menos gelo no Verão do que antes.”

A ESA está a monitorizar a dinâmica dos gelos do Árctico com os satélites Envisat, CryoSat e os satélites SMOS.

http://ecosfera.publico.pt/noticia.aspx?id=1509344
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O perigo mora ao lado, mas os moradores não o vêem nem sentem
28.08.2011

A população de São Pedro da Cova, em Gondomar, encolhe os ombros à perigosidade dos resíduos depositados nas antigas minas. No fundo, mimetizam a actuação do Governo, que só agora acordou para o problema.

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Os resíduos foram enterrados a vários metros de profundidade e estão cobertos por terra e vegetação

Manuel Rocha mora mesmo ao lado do aterro de resíduos perigosos de São Pedro da Cova, em Gondomar, mas nunca perdeu um minuto de sono por causa disso. "Não me cheira a nada, a água parece normal, por que me havia de chatear?", diz, como se estranhasse a pergunta. Está estacionado a poucos metros de distância dos 15 mil metros quadrados onde jazem 88 mil detritos da antiga Siderurgia Nacional, da Maia, contendo chumbo em doses que, confirmou há meses o Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), ameaçam gravemente a saúde pública.

Mas não o sono deste reformado. "Se os maiores não se preocupam, vou-me eu preocupar agora...", prossegue, para se fechar num mutismo de quem das duas uma: ou não faz ideia do que representam aqueles resíduos perigosos para a saúde da população ou faz mas está-se nas tintas. E o alheamento está longe de ser exclusivo. Insiste-se nas perguntas quanto às medidas adoptadas para acautelar eventuais contaminações e as respostas não variam. "Nunca tive problemas de saúde, a mim não me incomoda", corrobora António da Rocha, 66 anos, antigo pedreiro. Mas não leu nos jornais que os resíduos podem ser perigosos? "Se eu não sei ler, já vê...".

A iliteracia da população de São Pedro da Cova ajudará a explicar este desprendimento. A cerca de 20 quilómetros do Porto e a quatro do centro de Gondomar, esta freguesia com perto de 17 mil habitantes foi até à década de 1970 um grande centro de extracção de carvão. Com o encerramento das minas, quedou-se na sua vocação de grande dormitório. Os bairros sociais, a paredes-meias com casas antigas bordeadas de pequenas hortas, são sinais de uma passagem demasiado brusca de uma mentalidade rural para uma suburbana. De um lado prédios, do outro as piscinas municipais e, entre os dois, o terreno onde se escondem os resíduos perigosos, disfarçados a um tempo por outras tantas toneladas de terra e a outro por detritos da construção civil da empresa que funcionou no edifício das antigas minas e que por estes dias não passa de um enorme esqueleto cinzento.

Para lá chegar sobe-se uma pequena encosta e o que se vê é um terreno coberto por vegetação selvagem. É o presidente da junta de freguesia, Daniel Vieira, quem ajuda a perceber o que se esconde por debaixo desta terra enegrecida pelo carvão. "Com o aval das autoridades, foram aqui depositados resíduos que supostamente eram inertes para tapar o fosso que aqui havia e a pretexto da requalificação paisagística deste espaço que tinha um passivo ambiental por causa das antigas minas". Tratava-se de 97,5 mil toneladas de pós resultantes do despoeiramento dos gases do forno eléctrico da Siderurgia Nacional, que, já em 1996, a própria Siderurgia Nacional reconhecia precisarem de ser inertizados antes de serem depostos em aterro devidamente selado, por representarem um potencial muito elevado de lixiviação do chumbo.

Corrupção e compadrio

O certo é que, entre 2001 e 2002, esses pós foram depositados nas escombreiras das antigas minas de São Pedro da Cova sem qualquer tratamento prévio. Do mesmo modo, não foi acautelada a selagem da área de deposição. Durante meses, era um ver-se-te-avias de camiões a entrar e a sair. "Vinham de manhã cedo e à noitinha e despejavam o entulho no buraco que ali havia e que era quase do tamanho deste polivalente. A gente quase não os via", recorda Manuel Rocha.

A operação, coordenada pela Urbindústria - uma empresa com capitais do Estado responsável pela gestão dos resíduos da antiga Siderurgia Nacional que entretanto se fundiu com a Quimiparque e deu origem à Baía do Tejo S.A -, tinha o aval da então Direcção Regional do Ambiente e Ordenamento do Território (DRAOT) e até foi financiada com fundos comunitários. Havia, aliás, análises que atestavam que as cinzas ali depositadas eram inertes e só quando suspeitou que estavam a ser excedidas as 97,5 mil toneladas contratadas é que a DRAOT mandou suspender o processo. Terão ficado ali enterradas 88 mil toneladas de cinzas, segundo cálculos do LNEC. Seguiram-se anos e anos de denúncias. Na posse de análises que comprovavam a perigosidade dos resíduos, a eurodeputada comunista Ilda Figueiredo levou o assunto à Comissão Europeia. Nuno Melo, do CDS/PP, também. E acaba por ser a própria Comissão de Coordenação da Região Norte que, depois de o LNEC ter feito a prova dos nove à perigosidade dos resíduos, denuncia o caso ao Ministério Público. A Procuradoria-Geral da República abriu este mês uma investigação para apurar responsabilidades. Há documentos que comprovam o pagamento do depósito de 320 mil toneladas e que adensam as suspeitas de corrupção.

"Houve quem se tivesse permitido transformar resíduos altamente perigosos - que podem ser responsáveis por doenças como cancro ou malformações fetais - em resíduos inertes e, sob essa falsa capa e com documentos falsos, os tivesse depositado no meio de zonas habitacionais, a pretexto do arranjo urbanístico da zona, apropriando-se de dinheiro público e beneficiando terceiros. Espero que as responsabilidades criminais sejam apuradas e que os seus autores não venham a beneficiar da prescrição", declara Nuno Melo. O comunista Honório Novo, cujo partido tem agendada para Setembro uma iniciativa no sentido de obrigar a que o próximo Orçamento de Estado contemple as verbas necessárias para a remoção dos resíduos, é lapidar: "Não tenho dúvidas que houve nesta matéria compadrio e corrupção externa, como não tenho dúvidas que essa situação se estendeu a pessoas dos próprios serviços da DRAOT".

Enquanto a investigação prossegue, enquanto as há muito prometidas análises à qualidade das águas subterrâneas do local não chegam, a população aguarda. Os que, como Carlos Moura, têm furos a partir dos quais regam os hortícolas e dão de beber aos animais vão confiando na sorte. "A minha mulher está sempre a ameaçar que vai deixar de dar aquela água aos animais, agora que comêssemos uma galinha e nos tivéssemos sentido mal a seguir nunca aconteceu", relativiza este cravador de ourivesaria, 45 anos. "É uma coisa em que vou pensando mas que não me tira o sono. Olhe, é como a morte: a gente sabe que vai morrer, mas não anda todos os dias a pensar nisso".

http://www.publico.pt/Sociedade/o-perig ... cosfera%29
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