pequim, 27 dez (efe).- os prados que cobriam os topos das montanhas do sudoeste chinês estão com um estranho invasor, as árvores, que estimuladas pelo aquecimento global, ameaçam a forma de vida dos pastores tibetanos que habitam o local.
após quatro anos de estudo, berry baker, especialista em mudança climática da universidade estadual do colorado, e robert moseley, da organização the nature conservancy, comprovaram que o limite das árvores na montanha nevada de baima, na província de yunnan e fronteira com o tibete, subiu 67 metros em menos de um século.
o avanço das árvores ameaça a subsistência dos pastores tibetanos, a biodiversidade e as condições meteorológicas numa região onde convergem as águas de quatro rios dos quais 10% da população mundial dependem: yang tse, mekong, nu e irrawaddy.
uma das principais causas deste avanço é o aumento das temperaturas na região, que nas últimas duas décadas do século xx subiram 0,06 graus anuais - o dobro da média nacional - frente à alta de 0,04 graus nos 60 anos anteriores.
o outro fator, segundo o estudo, são as mudanças nos métodos tradicionais de utilização da terra, com a proibição, em 1988, dos incêndios provocados para controlar o avanço das espécies arbóreas.
"alterações baixas ou moderadas como o pastoreio ou o fogo para manter a produção de erva promovem o aumento do número de espécies, ou seja, contribuem para a biodiversidade. por isso essas duas atividades deveriam ser incluídas numa estratégia para conservar os gramados alpinos", afirmou baker à agência efe.
ao mesmo tempo, disse que é preciso realizar programas mais globais pois, à medida que o clima mudar, "as espécies vão tentar se adaptar transferindo-se a novas áreas onde tenham o habitat que permita que sobrevivam".
"as estratégias para reduzir a fragmentação do habitat, promover e manter os processos ecológicos básicos e diminuir outras pressões como a sobreexplotação dos recursos naturais serão chaves para permitir que as espécies se adaptem à mudança climática", afirmou o especialista.
o fenômeno da invasão arbórea, segundo baker, não é exclusivo da china e já foi observado nas montanhas de europa, sibéria, américa do norte e inclusive no ártico, onde a densidade e a altura dos arbustos está mudando, apesar de na região estudada ter ocorrido num dos ritmos mais velozes de todo o planeta.
além da montanha de baima, a pesquisa também analisou o monte khawa karpo, localizado na cordilheira de hengduan, ao leste do himalaia.
trata-se de um dos ecossistemas temperados com a maior diversidade biológica do planeta. além disso, no local há cerca de 1.680 geleiras, as mais baixas de toda a china e extremamente sensíveis às mudanças climáticas.
essas geleiras também estão sofrendo os efeitos do aquecimento. a de mingyong, por exemplo, diminuiu quase 110 metros entre 2002 e 2004, num dos "ritmos mais rápidos no mundo".
"as geleiras são compostas de gelo e portanto só reagem às mudanças na temperatura e às chuvas. infelizmente, se as temperaturas continuarem aumentando as geleiras continuarão desaparecendo. o único meio de inverter a tendência é (fazer com que) as temperaturas caiam", afirmou baker.
após canadá, estados unidos e rússia, a china é o quarto país do mundo em volume de geleiras, com uma superfície de quase 60 mil quilômetros quadrados, a maioria no planalto de qinghai-tibete, o mais alto do mundo.
no entanto, caso o aumento das temperaturas continue nesse ritmo anual, 25% dessas geleiras - fundamentais para a economia e a vida da população, não apenas na china mas também em todo o sul asiático - terão derretido em 2050. efe cg rg
http://br.noticias.yahoo.com/s/27122007 ... atica.html
Árvores invadem topos de montanha chinesas devido à mudança
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