Independencia Energética!

Para assuntos relacionados com o Micro-Produção.
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celsomenaia
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por celsomenaia »

mónica Escreveu:gasto uma média de 750kw por mês
ui, não sei quantas pessoas são nem a dimensão da sua casa, mas isso parece-me exageradamente alto !
no apartamento onde moro somos 3 pessoas, com máquina de lavar louca, roupa , placa vitrocerâmica, torradeira, microondas e afins , 3 computadores 2 portáteis, um deles está o dia todo ligado, 2 impressoras laser, ar condicionado e varios aquecedores no inverno, isto é o ultimo andar sem vidros duplos o que que faz que seja frio no inverno e quente no verão
e com isto tudo isso em média comsumi:
2006 - 394 kwh
2007 - 340 kwh
com cerca de 55% desta energia foi consumida em vazio

quando se faz um registo dos consumos de energia, acreditem que o objectivo é poupar cada vez mais , para ver os números a descer
não custa nada é só ir no final do mes anotar o consumo e fazer 2 ou 3 contas

quanto à tarifa bonificada, acho bem , o facto de para ter acesso a essa mesma tarifa , a colocação obrigatória de colectores solares para água quente.


agora, voltando ao tópico, antes de pensar em independência energética tem que se pensar em poupança energética, já que isso quento menos energia necessitarmos mais fácil será de nos tornar independentes.
a orientação da casa, os materiais usados na construção, é perferivel gastar um pouco mais inicialmente e ter uma classificação energética de a ou a+ , em vez do b- necessário, é isso não custa assim tanto em alguns aspectos tem custos idênticos, é falar com o engenheiro que fará o projecto de térmica da sua casa para lhe fazer uma estimativa de quanto mais poderia custar ter uma habitação da classe a ou a+.
se tivesse um pouco mais de dinheiro , colocaria painéis fotovoltaicos nem que fosse apenas 1 kw já era qualquer coisa.

cumprimentos

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jmal
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por jmal »

mónica Escreveu:li, mas o problema é o que lhe disse: não vejo "indícios" de usarem nos cálculos os custos todos, toda a gente faz cálculos sem o custo de manutenção nem custo do dinheiro (que é o mais irrealista de tudo... veja, com juros a 5% - ok pode ser menos, daqui as uns tempos, mas mesmo assim - o que quer que gaste, daqui a 20 anos, com os juros tinha o dobro (ou, se pedir x ao banco vai pagar p'rai o dobro, no total...).
depois vejo outro erro, o que falaram neste tópico: as pessoas pensam em vender tudo o que o sistema produzir, mas eu vejo assim: neste sistema o contador é bidireccional, certo? se gastamos anda numa direcção, se produzimos na contrária... ao fim do ano, quanto é que eles consideram que entrou na rede? eu diria que é a diferença... nunca vi estes contadores, mas não me parece que meça as duas coisas... não encontrei indicios do contrário... nem faz sentido: você pagava à edp a 0,11 e vendia a 0,65? vender o excedente é uma coisa... mas tudo...
mas, acima de tudo, isto de nos pagarem energia a 0,65€ é irrealista... é temporário... é uma medida para ajudar. para mim, umas contas realistas são ao preço da electricidade. eu cá não quero ser uma produtora de electricidade, só quero ter para mim, mas, mesmo que quisesse, quer dizer que tinha de por um sistema muito acima do que preciso para poder ganhar algum extra, durante 5 anos... e aqui resta saber, com as restrições se é possível (não vou jurar a pés juntos, mas nesta situação não estou tão certa das minhas contas).

mas tem razão que me enganei em 2 coisas: 2,4mw é por cada kw instalado (pelo que interpretei), por isso era mais, o que poderia injectar na rede.

repare, as contas que fiz foi vendo as minhas contas de electricidade: gasto uma média de 750kw por mês... por isso, fui a alguns sites e vi quanto teria de gastar para anular a minha factura: ex:http://raizplus.com/index.php?main_page ... ducts_id=7
com este painel, eles dizem que produz uma média de 0,7kwh por dia, portanto 255,5 kwh por ano... para produzir o suficiente para mim teria de comprar uns 35 paineis, certo? que me ficariam por quase 43 mil euros!!
eolica é um pouco melhor (rende mais, para o preço que custa), mas vejo menos garantias, porque preciso de ter a certeza do nível dos ventos: http://www.allsmallwindturbines.com/
veja, se compra-se 3 whisper 500 tinha potencia suficiente, mas gastava mais de 25.000€.

como vê, produzir, para gastar, não compensa.... e mesmo para vender é preciso investir muito dinheiro...

a não ser que esteja a fazer mal as contas de produção, mas os valores parece-me claros, para quem vende.

não se passe comigo, mas vou dizer novamente para ler os tópicos, esse preço desse painel dá para comprar quase 3 iguaizinhos, esse preço além de estar muito caro é apenas para 1, também não é assim que se faz contas, o melhor que faz é pedir um orçamento a um empresa licenciada para estas instalações. existem por aqui alguns orçamento que indicam variam entre 18.000 e 22.000 euros para sistemas com 3.68 kw e inclue já o inversor para injectar a energia na rede. segundo o que sei toda a energia que produz vende, e toda a que consume paga, só assim fazia sentido ter o inversor que injecta na rede, após instalado o sistema leva mais um contador, que conta toda a energia que está a vender. portanto vai continuar a pagar à edp tudo o que consome e a edp credita-lhe o que você lhe vender. nos tópicos também está explicado o regime de bonificação, ou seja começa em 65 cêntimos por kw, baixa ai fim de +- 6 anos gradualmente, leia muito, a informação está toda por aqui, até folhas de excel com os cálculos.


http://www.novaenergia.net/forum/viewto ... 113#p67113
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Mónica
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por Mónica »

celsomenaia, em relação ao gasto:
não tenho aqui todas as minhas facturas, vou verificar (vi algumas e tenho em ideia o que pago mensalmente)... mas somos 4, e tenho bi-horário (ou seja, gasto realmente 9 mwh, mas pago menos do que 1.000€, mas estas contas prejudicam ainda mais a recuperação do investimento). tenho quase todos os electrodomésticos a... mas também tenho vitro-cerâmica (1/2 de indução) e gosto muito de cozinhar (os fornos gastam muito). de qualquer modo até vou rever as minhas facturas para ter a certeza. mas concordo totalmente consigo: gastar pouco é o primeiro passo!

jmal, eu li quase todo o tópico, e nunca vi fazerem cálculos tendo em conta os juros, nem a manutenção, sempre só os custos do sistema (não consigo abrir aquele excel e não posso instalar a actualização ao excel - regras da empresa)... falam em inflação, e os juros, diga-me você, são contabilizados?
acredito perfeitamente em si, em relação aos preços... só tentei arranjar uma referência, e neste caso os kits térmicos não me tinham parecido especialmente caros.

porquê que o tópico se chama "instalações fotovoltaicas para venda à rede do excedente"? reli agora a lei e parece-me que pode realmente vender-se tudo. confesso que, como isso não me parece lógico, e dado o título do "excedente" usado em tantos sítios, nunca me lembrei de verificar.

não se irrite comigo, digo-lhe que não sou do contra e espero vir a ter um sistema de geração... só estou a tentar ser realista, e fazer uma análise de custos/benefícios real (contabilizando os juros), porque a vida não está fácil, e não sou de fazer as coisas só porque alguém diz que sim... além disso interessava-me o auto-consumo, mas pelos vistos para considerar a hipótese, tenho de vender... penso que vou voltar a fazer as minhas contas.

obrigada pela ajuda a entender... a maioria das pessoas nem se dá ao trabalho.
cumprimentos

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celsomenaia
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por celsomenaia »

existe um software gratis muito bom , que se pode entrar com essas variaveis todas, desde financiamento, taxa de juros, impostos , etc,
http://www.retscreen.net/ang/home.php

apenas tem que deixar o e-mail , faz uns gráficos bonitos e tudo

monica, quanto aos consumos de energia, se gosta muito de cozinhar , esta explicado !! "não se fazem omeletes sem partir ovos"

a imagem mostra o balanço liquido de uma instalação de 3,6 kwh , com um custo de 30 500 € , financiado a 75% , com uma taxa de 12%, a 10 anos , a inflação está nos 12% , requeria um investimento inicial de cerca de 6 000€.
pode-se ver o gráfico mais ou menos estável até aos 10 anos, ou seja o dinheiro que se recebe dá pra pagar o empréstimo, e findo o empréstimo ao fim dos 10 anos, começa a subir.
atenção, estas contas fogem um pouco da realidade já que está a contar que toda a produção seja entregue à rede de energia, a prdução anual seria 7 400 kwh
Anexos
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Mónica
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por Mónica »

obrigada!
vou analisar bem


Autor do tópico
Felizberto Laland
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por Felizberto Laland »

então há empresas que já estão preparadas para fazer tudo que é necessário? ou seja: estudo dos ventos e exposição solar, previsão de gastos e produção, licenciamento e instalação, e manutenção? ou ainda é necessário encomendar todos estes serviços separadamente?

realmente mónica é preciso fazer bem essas contas, sem esquecer as subidas das taxas de juro, inflação, etc. é que na practica, na practica (acredite que sei do que estou a falar), ninguém lhe dá mais do que 4% liquidos.

tem 20.000€ no banco mas já tem casa? tem mas ainda vai construir? não tem nem € nem casa e vive do seu vencimento?

e são 4% para já! a tendência é para piorar! ou então dizem lhe que já não precisam mais do seu dinheiro e, a meio do negócio, pagam o que tiverem a pagar e acabou-se a aplicação a prazo.
não se esqueça nós só somos clientes de um banco se pedirmos empréstimos; no caso contrário o banco é que é seu “cliente”. e se o cliente tem sempre razão…

a grande vantagem da opção pelo tipo de instalação que, para além de fornecer energeticamente a nossa casa de forma autónoma, produz ainda para vender, é a criação de um activo económico, que, só por si, vale muito mais que dinheiro. mas isto são outras discussões e cada um tem as suas ideias.

se pensarmos bem, o custo do equipamento pode (e resalvo que pode), não interessar para nada. o que interessa aqui em termos de contas é saber de que forma a escolha dos equipamentos pode maximizar esse activo.

o que eu gostaria de discutir era, de facto, o que qualquer pessoa deverá ou poderá fazer para conseguir reunir todos dados envolvidos e decidir de acordo com a situação que se apresenta, da forma mais simples, rápida e económica possível.

desculpem o texto

obrigado


Njay
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por Njay »

sem ser entendido de coisa nenhuma, vou só dar uma achega num aspecto que acho que às vezes passa despercebido...
tecnologia é dos piores investimentos que se podem fazer, especialmente a uma quantidade de tempo tão grande como 10 ou 20 anos. e especialmente numa área em que o desenvolvimento está a acelerar, como sendo as energias renováveis e os paineis solares fotovoltaicos em particular. se for pedido um empréstimo, podem ocorrer situações como, por exemplo, quando ainda faltar pagar metade do empréstimo já haver tecnologia bastante melhor pelo valor que falta pagar... daí que ou o empréstimo é por poucos anos ou o sistema satisfaz todas necessidades desde o inicio...
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Mónica
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por Mónica »

boa tarde

há uma coisa que acho que está enganado...felizberto laland: se tiver muito dinheiro, pagam-lhe bem... se só tiver dívidas é que nem por isso
de qq modo veja aqui: http://www.bigonline.pt/pt/poupancarend ... sprazo.asp
4,5 quase, pagam-lhe se puser lá 500€... se tiver muito pagam-lhe bem mais... é claro que isto pode muito bem mudar (e espero que sim!). tenho a certeza que em 20 anos consegue dobrar (pelo menos" 20.000€.

acho que há empresas que tratam de tudo, mas as análises são "relativas" (mapas nacionais) não existe um estudo concreto de cada local, ou será que estou enganada? é que no vento (que é mais rentável) isto pode fazer imensa diferença...

as minhas contas são simples: pelo menos recuperar o dinheiro investido... não penso no valor do equipamento, mas no quanto ele vai produzir. por isso é que acho um bocado mau o facto de, para poder valer a pena ter de "entrar num esquema" de vender a minha produção total por mais de 6 vezes o que ela vale... mas, se realmente pagar o equipamento rápido, é de considerar. mas reparem: para valer a pena não basta comprar um bom equipamento e produzir: é preciso ser "financiado" pelo estado, senão não compensa isto desaponta-me, porque só acredito que as energias renováveis "peguem" se for rentáveis...
acredito que acabarão por ser... só não sei quando...

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FERNANDO PEREIRA
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por FERNANDO PEREIRA »

è melhor confirmar essa possibilidade de poder vender toda a energia.

até á pouco tempo os privados para usufruírem preço bonificado só podiam vender 35% ou 50% do que consumiam ou contratavam e tem de ter sempre paneis de aquecimento de águas.
a não ser que tenha havido alguma actualização legislativa, os 100% a 0,65 só para os condomínios.

privados venderem toda a produção só sem preço bonificado, acho.

desculpem lá não ir á procura mas isto é tipo intervalo de 5 minutos, não tenho tempo.


Autor do tópico
Felizberto Laland
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por Felizberto Laland »

as taxas acima apresentadas são ajustadas diariamente com base nas condições de mercado, reservando-se o big o direito de as alterar (excluíndo naturalmente as taxas dos depósitos já contratados, mas sem deixar de alertar que as renovações são realizadas consoante as novas taxas em vigor no dia respectivo).

isto é o que eu quero dizer com: a meio do prazo que defeniu devolvem-lhe o dinheiro, pagam os juros da hora, e dizem que ja nao precisam mais dele. não se esqueça que o que eles se comprometem é dar lhe x juros naquele ano. e como ninguem lê até ao fim os contratos. ou cala e consente, ou come o te lhe dao para comer. atenção

e mesmo assim, daqui a vinte anos que valor têm 40.000€? há 20 anos atras eu comprava um pao por menos de 10 escudos. quer fazer as contas a 4%? olhe que há 20 anos davam mais.

o papel nao vale nada... o que produz, seja o seu trabalho, seja outra coisa qualquer, vale sempre!

mas isto é a minha forma de fazer contas.

é verdade o que o nosso amigo diz que poderá ser inutil investir na compra de tecnologia. a questao é de facto estar bem informado das condições a que cada um esta sujeito.


Mónica
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por Mónica »

pois, essa questão dos 100% (vender o total da produção, a 0,65€ kw), eu pensei que tinha esclarecido, porque no artigo 5º (direitos do produtor) diz:
"c) vender a totalidade da electricidade produzida pela potência permitida nos termos do artigo 4.º, líquida dos serviços auxiliares."
mas é verdade que no artigo 9.º(regimes remuneratórios)
"3 — no âmbito do presente decreto -lei apenas é remunerada a energia activa entregue à resp."
o que querem dizer com entregue? a "produzida", ou a diferença entre o gasto e o consumo? quer dizer, levando ao extremo poderíamos dizer que o produtor pode "vender tudo o que produz", mas só lhe é paga a "entregue" (não a que produziu e gastou)...

ainda assim, estou ter dificuldades em "descodificar" o decreto de lei: "potência contratada" é a potência definida no nosso contrato (que define, suponho eu, potencia máxima que podemos usar... certo?), e a potencia de ligação, o que é? pelo que vi dos valores que falam, parece-me ter a ver com o sistema de geração... mas não consigo perceber claramente o que é...

note que os 50%, pelo que percebi, não é do que consome, mas da potência contratada, agora, no dl há de novo uma coisa que não entendo:
"3 — os produtores de electricidade (...) não podem injectar na resp, no âmbito desta actividade, uma potência superior a 50 % da potência contratada para a instalação eléctrica de utilização."
o que querem dizer? que não podem injectar? que não será paga? não será paga à tarifa bonificada???
apesar da "interpretação" que vejo por aí, não tenho a certeza que é a correcta... enfim....
tenho de admitir que não acho nada "lógico" a mesma pessoa vender a 0,65, e pagar a 0,11... na prática pior, a pessoa gastar o que produziu e receber um "subsidio" de 0,54€ kw, só por produzir??? mas não vou jurar, porque lendo a lei, não é nada claro...

voltando ao tema do dinheiro: sim, acho que é verdade que há 20 pagavam bem mais, mas a inflação era bem mais. hoje em dia esta-se a pagar melhor, e digo-lhe pela pouca experiência que tenho que os bancos não lhe devolvem o dinheiro, assim, num deposito a prazo: eles querem e tratam "melhor" quem tem lá dinheiro.... é a minha opinião...
já sabemos que as coisas (os bens, especialmente os não imóveis, como é o caso de um sistema do género) têm um valor sempre relativo, por isso é que acho muito importante as contas serem feitas com base no que produz, mas de uma forma real.. e não me parece "aceitável" pagar um sistema destes em 15 anos... mas enfim...


Nuno Oliveira
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por Nuno Oliveira »

sem querer cortar a discussão queria dizer que os argumentos pragmáticos dos intervenientes ensinaram-me muito sobre a viabilidade da auto-suficiência, que é um dos temas que mais estimulantes na minha área (arquitectura).

gostei muito da questão colocada pelo felizberto, quem não sonha com uma casa sem facturas e imune a flutuações energéticas e cenários de escassez de recursos ou colapso económico (sem paranóias), utilizando apenas recursos naturais renováveis?
parece uma situação que só tem vantagens e que aguarda apenas pelo avanço da técnica para existir- nem há 20 anos atrás a sugestão de autosuficiencia seria utopia mas agora, como se discute neste tópico, é possível mas inviável economicamente.

já pensaram que, sendo ambiciosos, em 50 anos o parque habitacional poderá culminar naquilo para onde caminha, a auto-suficìência?

estou neste momento a propor um projecto de investigação na minha instituição de ensino que procura propor precisamente uma "habitação sem facturas", que utiliza apenas materiais eficientes e sustentáveis, principios da arquitectura bio-climática e utilização de renováveis mas que permita niveis de conforto pelo menos iguais aos mais convencionais actualmente. existem já vários exemplos de casas de futuro que são basicamente showcases de gadgets inúteis e casas auto-suficientes que assentam em estilos de vida frugais ou então são auto-suficientes de forma limitada ou foram realizados num estágio em que a tecnologia não era muito desenvolvida.

estou consciente que com a tecnologia actual os equipamentos envolvidos seriam aproximadamente 50% do custo de construção (é a conta fundamental) mas é possivel reduzir os gastos de implantação, estrutura e acabamentos sem reflexos no conforto e "estética", compensando de certa forma os gastos com os sistemas referidos, procurando aproximar o custo por m2 da construção convencional. claro que não é segredo que a viabilidade depende ainda muito do local certo mas no nosso país o espectro de escolha é grande.

o que queria dizer é que não foram ainda tidas em contas duas coisas:

-a tecnologia avança rapidamente e em breve a eficiencia dos equipamentos aumenta exponencialmente, existem avanços nas baterias e armazenamento de energia e os preços tendem a descer, como já foi mencionado.

-se houver um projecto inteligente e se consiga economizar em área da construção e soluções construtivas para poder pagar em parte estes sistemas, a somar á poupança anual em energia , o valor integral da habitação auto-suficiente poderá compensar face á convencional. isto é: uma habitação deste tipo é mais cara no momento de construção mas a habitação no seu todo e na sua manutenção poderá compensar face ao custo global de uma convencional.
claro que se se pretende adaptar a uma construção pre-existente esta poupança poderá não existir.

dada a sugestão do felizberto deveria ser tido em conta o valor global da construção.

estou neste momento a desenvolver três projectos para diferentes tipologias de casas auto-suficientes para diferentes gamas de preços e assisto com interesse a esta discussão. é um sonho de reforma uma off-grid viável...

cumprimentos!


Mónica
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por Mónica »

nuno oliveira,

estou em fase de projecto de construção de uma casa, e, de uma forma "moderada" é isso que procuramos fazer:
- reduzir na área (ter a área que preciso, e não aquela que é "bem" ter; ex.: todos nos chateiam, que devíamos ter uma cave, mas temos área suficiente, e não vamos fazê-la... na nossa cabeça (e já tivemos uma cava), para que ter uma divisão de 50 m2 (pelo menos) que se usa 2 vezes por ano? mas acredite que para a maioria das pessoas é difícil de entender isto...).
- e poupar nuns materiais, para investir noutros (nós somos uns "esquisitos", imagine, que, ao contrário do português comum preferimos investir em isolamento, caixilharias e estrutura, e, em vez de mármore italiano, soalho de carvalho francês e cozinha italiana (alemã, escolheria eu)... vamos tentar ter uns acabamentos bonitos e confortáveis... mas nacionais, ou pelo menos, não nos interessa este tipo de luxo, se é que me entende...
ainda assim é complicado... porque nas contas que faço (tento ser ecológica, mas tenho de fazer contas à vida): é que é difícil "bater", num estudo a 15/20 anos, a "velha" solução dos radiadores e da caldeira a gás (botijas de 45 kg), ou a gasóleo
ou seja, tenho sistemas alternativos, a nível de conforto e custo, mais viáveis economicamente, e essa é toda a questão.

eu estou decidida a não ter um sistema deste género, mas estou pelo menos a tentar, obviamente investindo mais inicialmente, conseguir ter umas contas (investimento + contas anuais), a longo prazo, pelo menos próximas do que teria para um sistema "tradicional".... mas acredite que não é fácil...

espero que consiga que os seus projectos tenham viabilidade económica e visibilidade


Nuno Oliveira
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por Nuno Oliveira »

cara mónica,

antes demais aplaudo a sua iniciativa e empenho exemplar em procurar envolver-se na construção da sua casa com o intuito de economizar,poupando também o ambiente.

tocou numa das questões fundamentais: o aumento da eficiência de uma habitação implica quase sempre uma redução significativa da área útil, o que pode nem ser uma desvantagem com uma organização inteligente do espaço. esta redução não é apenas económica mas prende-se sobretudo com questões de optimização e vivência.
infelizmente, no mercado imobiliária as áreas são vistas de modo abstracto e não qualitativo o desvaloriza á partida áreas menores mas com bom desempenho.

a situação ingrata actual para quem procura construir já é precisamente que não foi ainda atingida uma paridade entre uma habitação confortável, espaçosa e económica mas com um grau de auto-suficiencia e a sua habitação equivalente (mas com área maior e mesmo admitindo-se outros acabamentos) com sistemas convencionais. o preço por metro quadrado não permite ainda uma comparação abonatória para uma solução ecológica que é , essencialmente, um luxo.
o factor perverso e paradoxal é que é um luxo útil e altruísta também, mas acredito que não o será durante muito mais tempo.

o desafio neste momento é procurar circundar alguns factores orçamentais sem grande compromisso no desempenho e arquitectura. as primeiras coisas a "ir" são, como disse, determinados equipamentos e acabamentos luxuosos, naturalmente é uma questão de gosto mas acredite que tendencialmente estes tendem a ter desempenhos ecológicos e funcionais abaixo de soluções mais modestas. é um factor pessoal.

existem estruturas mais económicas do que outras (depende muito das exigências do projecto) mas a nível ecológico são as metálicas galvanizadas e de madeira laminada ou maciça que envolvam alguma racionalização em instalação e produção que á partida são mais ecológicas.

faz bem em não poupar em isolamento e caixilharia. sabia que com estes dois elementos e um planeamento correcto da exposição e sombreamento do edificio e distribuição do programa poderá, na maior parte das regiões em portugal, prescindir totalmente de meios mecânicos de climatização (sem estilos de vida espartanos)?

como refere com muito mais conhecimento do que eu em posts anteriores é dificil ter uma microgeração compensadora mas, mesmo com margens pequenas de rentabilidade poderá sempre apostar na aqs ou numa caldeira a biomassa para aquecimento, caso necessite. já considerou apostar na recuperação de águas pluviais e\ou cinzentas para rega e descargas por exemplo?
poderá investir a poupança que teve nesta fase e garantir a possibilidade da posterior aplicação dos fotovoltaicos quando estes se tornarem mais viáveis...

no fundo o meu desafio é tornar interessante do ponto de vista económico a solução da auto-suficiência e procurar alargar a abrangência do modelo para além da habitação unifamiliar suburbana\rural. apercebo-me que é pano para mangas e graças ao forum tenho-me diariamente desfeito de muitas ideias preconcebidas.
julgo que o argumento para convencer o público em geral da generalização das renováveis é económico e não ambiental (tristemente).

não deixe de comunicar aqui a sua experiência e os problemas\descobertas que encara ao desenvolver o seu projecto.

cumprimentos!


Mónica
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por Mónica »

caro nuno,

concordo consigo, de uma forma geral, mas aponto duas coisas:

quando comecei a pensar na minha casa investiguei os métodos construtivos, e a construção em aço galvanizado "convenceu-me"... ao falar com os meus arquitectos, acabei por ser demovida, sobretudo por estas razões:
uma boa parte do material usado neste tipo de construção é importada (o que significa preços inflacionados, e também menos ecologia: tudo que envolva grandes distancias, gasta muito petróleo), ou seja, ao nível do material, nem é muito "económico", nem, a ser usado em portugal, se torna ecológico.
depois há a questão da eficiência energética: acabamos por ver que existem alternativas construtivas interessantes, e em principio além do betão armado (bom isolante... mas caro) vamos usar tijolos em leca (da maxit... bem, não é portuguesa... mas é uma pequena parte do material...).
foi uma opção baseada nos arquitectos... sabem as minhas preocupações, que partilham, por isso confio neles.
acho que existem soluções portuguesas muito interessantes e ecológicas (e económicas), como é o caso da cortiça expandida (http://www.isocor.pt/)... enfim, é mesmo uma questão de pesquisar.

em relação às águas, tive uma "pequena desilusão": as soluções que mais se vêm envolvem um enterramento de um depósito, normalmente no jardim... ou seja, é sempre necessário um motor, para extrair a água.. não é mais "óbvio" fazer um poço? não é preciso filtrar a água, ela é filtrada naturalmente... é isso que vamos fazer (a casa é numa zona baixa).
em casas muito altas (a nosso é quase totalmente térrea) acho interessante a ideia de utilizar águas de banhos para as sanitas e isso... mas no nosso caso, mais uma vez é necessário motores, pelo que desistimos (pelo menos para já).

adoptamos também cuidados de orientação e exposição, de ventilação (muitas vezes descurado!), temos coberturas ajardinadas... e talvez venhamos também a ter fachadas ajardinadas (ainda em estudo).
um dos arquitectos anda a "estudar" uma solução de ventilação/arrefecimento para o verão: consiste simplesmente num tubo, que ligue a casa ao quintal (a uma zona fresca), para ser usado só no verão... sem motores, claro... usando só princípios de circulação do ar quente e frio...

é que, muitas vezes, sob o nome do ecológico, adoptamos sistemas que têm outro tipo de impactos (na produção ou na utilização), assim, na dúvida penso que se deve usar uma regra básica (muito usado no mundo da informática) kis(s): kip it simple (stupid)...
quanto mais simples e menos energia consumirem os sistemas... quanto mais perto de nós forem produzidos... mais ecológicos são


Nuno Oliveira
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por Nuno Oliveira »

cara mónica,

está amplamente informada e disposta a pesquisar e considerar muitas soluções e espero que os arquitectos que a aconselham (bem) votem em si para cliente do ano. é demasiadas vezes dificil falar com clientes e construtores (até outros arquitectos...) sobre o que não é convencional.

a solução em aço que mencionei tem uma elevada energia incorporada no fabrico e transporte por se tratar de um processo industrial complexo feito noutros países mas tem também uma muito elevada vida útil e um potencial de reutilização que impede a criação de muitos resíduos de demolição (nenhum edifício é eterno). o seu valor ecológico advém desta flexibilidade, naturalmente como aponta não é a solução mais ecológica mas depende não só desta consideração mas do projecto em si e das suas exigências- é uma opção como outra qualquer.

a estrutura de betão armada com alvenaria de tijolo é a solução mais corrente em portugal e o seu desempenho é perfeitamente aceitável se se tiver os cuidados básicos com isolamento (paredes duplas exteriores com camara ventilada e isolamento térmico ou isolamento térmico pelo exterior, e outras), que poderá ser de origem ecológica como o isoloc (celulose) ou o pavatex (pavimentos), a cortiça como referiu e muitas outras soluções que já existem em portugal. a cortiça funciona bem na sua dupla função térmica e acústica (mais acustica) e é adequada sobretudo sob pavimentos mas poderá exigir espessuras maiores.
terá que conferir com os seus técnicos acerca das suas possibilidades de desenho uma vez que não é dificil integrá-las na solução de betão e alvenaria que em si não são o factor de isolamento e desempenho mais relevantes.
neste endereço existe um guia que é o que recomendo a clientes e conhecidos que está bem compilado (e razoavelmente completo) e que é de fácil consulta para descobrir várias soluções construtivas:

http://www.ecocasa.org/index2.php

quanto ás aguas nem todas as soluções exigem grandes depósitos e bombas uma vez que existem soluções em que a água da chuva é recolhida e retida ao nivel da cobertura, sendo direccionada para descargas por gravidade. claro que esta e outras soluções têm um peso importante no projecto de uma habitação e são dificies de aplicar a posteriori.

as fachadas e coberturas verdes são soluções ainda relativamente invulgares mas muito eficientes e agradáveis por vários motivos.
na arquitectura tradicional a "fachada verde" é normalmente uma árvore ou trepadeira de folha caduca (ex madressilva) que forma uma protecção adicional no verão a vãos e paredes que já apliquei com bons mas modestos resultados , recomenda-se.
a solução de arrefecimento que refere são permutadores de calor enterrados no seu quintal?

como diz, todo o bom design é simples.

cumprimentos!


Mónica
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por Mónica »

eles dizem que sou a cliente mais interessada que já tiveram, mas, cá entre nós, às vezes devem achar que sou uma chata... a nível de arquitectura, propriamente dita dou-lhe "liberdade", mas passa a vida a questionar e a sugerir materiais e sistemas... mas faço-o com a melhor das intenções!

eu tinha visto a solução das coberturas ajardinadas e sugeri, em relação às fachadas, ainda estamos a ver, mas foi através de uns livros deles: é um produto que na prática são estruturas, tipo rede, que vêm já "plantadas" (como não é directamente na parede, esta fica protegida, em relação a fissuras e isso... e pode-se retirar facilmente)... existem vários tipos, de acordo com a exposição da fachada... ainda estamos a ver, mas a norte é que me interessa mais, pois as paredes das fachadas norte são muito expostas... e ganham verdete e essas coisas... mas nem toda a gente gosta:)

conheço bem este site, algumas "ideias" tirei de lá.

a solução de arrefecimento está ainda em estudo... eles criaram uma solução semelhante, noutro projecto, com mais área de terreno que a minha (as tubagens têm de ser longas, para funcionar...), e estão ainda a ver. não sei se se poderá chamar permutadores, mas suponho que sim: a ideia é aproveitar a temperatura mais baixa da terra e de algumas zonas, para trazer ar mais frio ao interior da casa...
tentando explicar novamente será um (ou mais, não sei bem) tubos que circularão entre uma zona fresca do quintal e da casa...

cumprimentos

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celsomenaia
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por celsomenaia »

no campus do ineti ne lumiar em lisboa, existe um edificio que foi construido a pensar nesses aspectos, e o resultado foi um edificio sem ar condicionados

e tem esse sistema de tubos enterrados para arrrefecimento no verão, com a fachada volta a sul, para no inverno aproveitar ao maximo a radiação solar para aquecimento.

http://www.ineti.pt/download.aspx?id=b2 ... 4989b90123

cumprimentos


Nuno Oliveira
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por Nuno Oliveira »

o exemplo que celsomaia aponta é muito interessante. conheci este projecto quando lhe chamavam edifício energeticamente auto-suficiente o que não foi conseguido mas são colocadas muitas aplicações inovadoras.
julgo também que não conseguiram abolir o ar condicionado mecanizado, possivelmente por questões de
regulamentação (?).

a solução de fachada ventilada integrada no alçado do edificio e tirando partido do aquecimento fornecido pelos paineis é pessoalmente a minha solução favorita. os críticos poderão dizer que os paineis não estão na sua posição mais eficiente mas também não vejo que tenham que ser colocados sempre na forma mais optimizada de forma rígida.

chamo a atenção para outra solução de auto-suficiência em portugal, no clube nautico da aldeia do mato pelos arquitectos cannata e fernandes e a dst. são pavilhões de ocupação temporária que incluem todas as instalações, incluindo central fotovoltaica e mini-etar. percebe-se por eles o potencial numa aplicação em residências comuns.

só encontrei info razoável aqui:

http://arquitectura.pt/forum/f10/m-dulo ... -1925.html

http://www.cannatafernandes.com/proj137.html

cumprimentos!


Nuno Oliveira
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Re: Independencia Energética!

Mensagem por Nuno Oliveira »

mais um link do fabricante

http://www.capa.pt/portfolio.look?viewd ... l=1&scpm=4

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